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quarta-feira, 2 de outubro de 2013



O princípio básico da Fotografia é a iluminação. Erroneamente, quando começamos a nos interessar por Fotografia, pesquisamos sobre equipamentos, em vez de observar e tentar estudar como a luz se comporta nos objetos. Não que isso seja de tudo errado – afinal, fotografar exige uma câmera. O problema é que depois de adquirir o material necessário, começa a crise da insatisfação. “Eu poderia ter comprado essa câmera. Essa outra marca é melhor. Agora eu quero outra lente.” Com novos modelos todas as semanas, o mercado desvia nossa atenção para aquilo que é menos importante, nos forçando a esquecer de aprender sobre o que a Fotografia realmente é.

A principal qualidade profissional de um fotógrafo é o olhar desenvolvido sobre as situações - e isso não trata apenas de ser emotivo diante das coisas e das pessoas. Antes de ver com a alma, é preciso ver com os olhos do próprio rosto. Parece insensível num primeiro momento, mas é preciso saber analisar quando uma situação é visivelmente bonita (o conceito de “bonito”, nesse caso, é amplo) antes de tirar a câmera da mochila e clicar.

Perdemos muito tempo observando coisas sem nenhum sentido. Sem saber o básico sobre iluminação, composição ou linguagem, simplesmente fotografamos. É óbvio que, para evoluir, é preciso passar por etapas de aprendizado. Mas, depois de algum tempo, observamos nossas próprias imagens e nos perguntamos “O quê eu vi nisso?”. E essa “decepção” não se limita aos fotógrafos iniciantes.

Evoluir, buscar conhecimento e aguçar opiniões são instintos naturais do ser humano. Infelizmente, o quê acontece é que muitos simplesmente param, se contentando com o medíocre, fotografando sempre o mesmo arame farpado, que vai ficando cada dia mais enferrujado. Alguns, que se julgam espertos, até tentam elaborar um sentido narrativo para o trabalho repetido e sem qualidade, dizendo que é a “excentricidade do tempo que abusa da natureza”. Esses são os profissionais sem ambição, que estão destinados a um futuro sem muito sucesso. 

Há algum tempo, Mário Amaya, editor da revista Digital Photographer Brasil, postou em seu twitter: “A cada vez que você repete aquela frase piegas do Cartier-Bresson sobre mira, Deus mata uma admiradora de Clarice Lispector.” [Para os que não sabem, trata-se da frase: “Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”.] Sem questionar a genialidade da frase de Bresson, a Fotografia está se convertendo em um conjunto de definições banalizadas. Hoje, estamos mais ocupados divulgando frases e imagens no Facebook do que realmente aprendendo o que é fotografar. 

As questões são trágicas, mas é inevitável fazer perguntas típicas de início de ano. Para onde estamos indo? No quê a Fotografia está se transformando? O quê estamos fazendo para evoluir tecnicamente? No quê estamos buscando inspiração? E o pior: Estamos realmente fazendo alguma coisa? De alguma forma, 2012 será, um ano de renovações energéticas, cósmicas e astrais. Seria ótimo aproveitar a oportunidade e transformar a Fotografia em algo ainda mais incrível! 

                                                                      Fotografia de: Luis Mariano González


                                                                                                     Fotografia de: Sebastian Schmidt

                                                                              Fotografia de: Logan Hunt

                                                                             Fotografia de: Andrew Litsch




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